Não quero lamentos, frases do género sempre no meu coração, nunca nos esqueceremos de ti, com todo o meu amor.
Em vez disso e porque não sei qual o tempo que me reserva esta escrita, se voltarei ou quando, se ainda vale a pena, se o cansaço me tolhe os sentidos desgastados, acabrunhados, se a vida que enfrento de hoje para a frente me vai permitir voltar e porque gosto de vocês incondicionalmente, reparo algumas injustiças.
Gente que me linkou e que por preguiça nunca lhes devolvi a amabilidade, gente que mandou bitaites, gente que me dá gozo para além dos que constam da minha lista.
Aqui vai:
Categoria Os mordazes
o Cu ocudomundo.blogspot.com/
O comandante da naviarra http://capitao-merda.blogspot.com/
Verdades escritas de forma que me enchem a alma:
http://zedocao.blogspot.com/
http://cartassemvalor.blogspot.com/
Gente que linkou este meu blog de merda sem nunca o ter dito:
http://segredos-da-lua.blogspot.com/
http://ruifpinto.blogspot.com/
Um doce de uma miúda:
http://ruanita1.blogspot.com/
A minha sempre amiga Gasolina, que sabe-se lá porquê não lhe encontro agora o link para o seu novo blog.
O xonas do bigmac http://bigmacportugal.blogspot.com/ que virou fotojornalista quando maneja as palavras como tremoços, sem tirar a casca.
Uma pessoa especial dos Estados Unidos, Mountain View California que penso nunca me ter dito palavra com pena minha mas que me intriga e insiste em voltar a este tasco lamaçento repleto de fel.
E o Inspector Varejeira, um dos primeiros a comentar um tipo que sempre foi "impec", aonde andas moina?
Atenção isto não é uma despedida apenas um abraço dos grandes, sentidos, daqueles que esperamos manter.
Um abraço até daqui a 10, 15, 20 dias, não quero fechar, tenho tanto mas tanto para dizer...
Thursday, November 29, 2007
Wednesday, November 14, 2007
A passo de caracol (Ou será paço?)
Hoje enquanto metia gasolina na bomba da cepsa em Lavra City, ouço esta conversa de duas malucas que estavam ao meu lado:
- Isto nun dá.
- Nun dá? Nun pode ser?
- Já te disse que nun dá.
- Atão se nun dá prantos bou lá dentro.
Sigo para o Ikea como desocupada que sou. Compro 68 enfeites de natal lilás por 9.99 Euros e sinto-me logo melhor, meia dúzia de telefonemas recebidos, os bochechos do costume.
Chego a casa e quando vou lavar as mãos deparo-me com uma aranha pequena a subir o lavatório. Fico na dúvida, afogo-a ou não, lembro-me do Serge que diz que todos os insectos são a reencarnação de uma alma humana, lembro-me que ela acabará por crescer, afogo-a sem dó nem piedade.
Resumindo e concluindo que se foda a alma, venham mais enfeites de Natal.
- Isto nun dá.
- Nun dá? Nun pode ser?
- Já te disse que nun dá.
- Atão se nun dá prantos bou lá dentro.
Sigo para o Ikea como desocupada que sou. Compro 68 enfeites de natal lilás por 9.99 Euros e sinto-me logo melhor, meia dúzia de telefonemas recebidos, os bochechos do costume.
Chego a casa e quando vou lavar as mãos deparo-me com uma aranha pequena a subir o lavatório. Fico na dúvida, afogo-a ou não, lembro-me do Serge que diz que todos os insectos são a reencarnação de uma alma humana, lembro-me que ela acabará por crescer, afogo-a sem dó nem piedade.
Resumindo e concluindo que se foda a alma, venham mais enfeites de Natal.
Tuesday, November 6, 2007
A desilusão
A paixão é uma brincadeira de miúdos.
A face vermelha, o desejo, o sonho, a fantasia , o querer demoníaco, tudo se desvanece ao minimo toque, arrufo.
Quem é que nos ama de verdade? nos protege? quem quer saber de nós? de mim? quem me ampara as quedas?
Tudo menos a paixão.
Estranho é ver agora as coisas tão claramente, sem remorsos, sem culpas, sem amor.
Até sempre, até nunca, já não me fazes tremer...
A face vermelha, o desejo, o sonho, a fantasia , o querer demoníaco, tudo se desvanece ao minimo toque, arrufo.
Quem é que nos ama de verdade? nos protege? quem quer saber de nós? de mim? quem me ampara as quedas?
Tudo menos a paixão.
Estranho é ver agora as coisas tão claramente, sem remorsos, sem culpas, sem amor.
Até sempre, até nunca, já não me fazes tremer...
Monday, November 5, 2007
5 de Novembro por falar em dias
Este foi o dia :A Clara levantou-se tarde como habitual, ligou ao cliente e disse que iria chegar mais tarde em vez das 10 chegou ás 11, gracejou com a telefonista a dizer que eles já estavam habituados.
A Clara na reunião levou nas orelhas, comunicou que só estaria disponível até ao fim de Dezembro, sem querer deixou uma lágrima correr pela face, retorquiu: - Ao ponto que uma pessoa chega.
O cliente (o primeiro da sua empresa) disse-lhe: - quer ir apanhar ar? Fumar um cigarro?
E a Clara respondeu: Sim quer um cigarro polaco? Esboçou um sorriso, são baratissimos.
E a lágrima fez-se riso e odiou-se nesse momento.
As mulheres não choram nunca e a Clara papa qualquer um. A lágrima foi o presságio da morte anunciada, no cliente ainda configurou dois mails deu beijos às meninas e apertos de mão firmes como convém aos homens, veio todo o caminho cega, aguentou as filas da vci e A28, comeu um bife com batatas. Respondeu a mails dos seus clientes ingleses sempre com o fecho Wish you all the best quase uma despedida.
Foi buscar a tommy, aguentou a treta que é ser mãe e agora durante um estufado de frango com puré vem dizer-vos isto: mais um dia nos dias da Clara.
A Clara na reunião levou nas orelhas, comunicou que só estaria disponível até ao fim de Dezembro, sem querer deixou uma lágrima correr pela face, retorquiu: - Ao ponto que uma pessoa chega.
O cliente (o primeiro da sua empresa) disse-lhe: - quer ir apanhar ar? Fumar um cigarro?
E a Clara respondeu: Sim quer um cigarro polaco? Esboçou um sorriso, são baratissimos.
E a lágrima fez-se riso e odiou-se nesse momento.
As mulheres não choram nunca e a Clara papa qualquer um. A lágrima foi o presságio da morte anunciada, no cliente ainda configurou dois mails deu beijos às meninas e apertos de mão firmes como convém aos homens, veio todo o caminho cega, aguentou as filas da vci e A28, comeu um bife com batatas. Respondeu a mails dos seus clientes ingleses sempre com o fecho Wish you all the best quase uma despedida.
Foi buscar a tommy, aguentou a treta que é ser mãe e agora durante um estufado de frango com puré vem dizer-vos isto: mais um dia nos dias da Clara.
Mais um dia depois de outro
A Clara está fodida, por nada em especial, está fodida porque lhe apetece porque começa a ser um estado prós-pré qualquer merda um estado neo-pós pilices.
A vontade é dolce faire niente (lol nem sei se é assim que se escreve) e quando estamos assim mais vale mesmo ficar. Ficar calada, boquinha fechada, pouco barulho, apenas um múrmurio esganado como a minha própria voz de cana rachada.
E mais não digo para já, apenas beijos, beijos doces para quem os quiser agarrar e para vocês que tanto o merecem.
A vontade é dolce faire niente (lol nem sei se é assim que se escreve) e quando estamos assim mais vale mesmo ficar. Ficar calada, boquinha fechada, pouco barulho, apenas um múrmurio esganado como a minha própria voz de cana rachada.
E mais não digo para já, apenas beijos, beijos doces para quem os quiser agarrar e para vocês que tanto o merecem.
Wednesday, October 24, 2007
A história da Clara I
Para desanuviar conto-vos a vida da Clara.
A Clara tem a filha com varicela, há semana e meia, mais precisamente há 10 dias que não sai há rua. A Clara faz compras no continente on-line porque literalmente está de quarentena e não tem o que comer, nem o que dar de comer à sua filha.
Ela remoe-se a pensar porquê que o Jorge parte para a Polska no preciso dia em que a miúda fica doente. Fica verde de inveja por saber que um gajo com pouco mais do que a quarta classe, farta-se de viajar enquanto ela ( pessoa devidamente certificada e educada) virou mãe a tempo inteiro, uma autêntica fadinha do lar. O seu único prazer e também desgosto é saber que ele por muito que viaje continua um tipo pobre de espiríto, embrutecido como sempre o foi.
A Clara conseguiu a proeza de destruir 4 computadores em 3 semanas e todo o seu trabalho que diga-se de passagem é pouco está completamente comprometido, ela não se importa, quer seguir outros caminhos ainda que não saiba quais, por isso agora senta-se sobre o chão frio do soalho e com uma ligação directa a um router manhoso faz apenas o que é indispensável, responde a alguns mails safa algumas situações mais obnóxias, escreve de vez em quando num blogue sem sentido, diz coisas que não quer, mas que sente necessidade de as dizer.
A Clara tem a filha com varicela, há semana e meia, mais precisamente há 10 dias que não sai há rua. A Clara faz compras no continente on-line porque literalmente está de quarentena e não tem o que comer, nem o que dar de comer à sua filha.
Ela remoe-se a pensar porquê que o Jorge parte para a Polska no preciso dia em que a miúda fica doente. Fica verde de inveja por saber que um gajo com pouco mais do que a quarta classe, farta-se de viajar enquanto ela ( pessoa devidamente certificada e educada) virou mãe a tempo inteiro, uma autêntica fadinha do lar. O seu único prazer e também desgosto é saber que ele por muito que viaje continua um tipo pobre de espiríto, embrutecido como sempre o foi.
A Clara conseguiu a proeza de destruir 4 computadores em 3 semanas e todo o seu trabalho que diga-se de passagem é pouco está completamente comprometido, ela não se importa, quer seguir outros caminhos ainda que não saiba quais, por isso agora senta-se sobre o chão frio do soalho e com uma ligação directa a um router manhoso faz apenas o que é indispensável, responde a alguns mails safa algumas situações mais obnóxias, escreve de vez em quando num blogue sem sentido, diz coisas que não quer, mas que sente necessidade de as dizer.
A Clara sente falta do cheiro do Tejo, dos Cacilheiros, da luz demasiado branca de Lisboa, dos amigos e dos sorrisos, das pessoas inteligentes, das ginjas de Santo Antão e dos devaneios no bairro alto, de olhar a outra margem bem de noite no antigo miradouro de Almada, parece que agora é um restaurante de luxo, das calçadas, dos passos, dela.
A Clara está só e triste, mas sobre ela falar-vos-ei ainda mais.
Friday, October 19, 2007
Já não há pressa
E porque não há muito mais a dizer:
A corrida do tempo, a corrida do mar agitado em caminhos desfeitos de água.
Hoje como em tantos outros dias não corro, abrando o passo, desvio-o, meto-me por atalhos (todos que me levam onde não quero ir).
Estou de quarentena, quatro paredes bloqueadas pelos dedos da mágoa.
Quem pensa que me conhece não sabe quem eu sou. Seria capaz de tudo, partir o mundo, gritar dar um tiro na puta da tola porque a loucura está no abismo do costume, mais acima um bom bocado, incontrolada, irascível, possessa, com o sabor amargo de todos que me querem ver cair, inclusivé eu. Cair de braços abertos, cansados, cair sem alternativa, despojada dos sentidos, respirar fundo uma última vez como se respirasse a pouca vida que há em mim.
Sossegar silenciosa e perdidamente, dormitar enroscada em lençois perfumados, eu apenas.
Ainda existo, esta é a minha hora.
A corrida do tempo, a corrida do mar agitado em caminhos desfeitos de água.
Hoje como em tantos outros dias não corro, abrando o passo, desvio-o, meto-me por atalhos (todos que me levam onde não quero ir).
Estou de quarentena, quatro paredes bloqueadas pelos dedos da mágoa.
Quem pensa que me conhece não sabe quem eu sou. Seria capaz de tudo, partir o mundo, gritar dar um tiro na puta da tola porque a loucura está no abismo do costume, mais acima um bom bocado, incontrolada, irascível, possessa, com o sabor amargo de todos que me querem ver cair, inclusivé eu. Cair de braços abertos, cansados, cair sem alternativa, despojada dos sentidos, respirar fundo uma última vez como se respirasse a pouca vida que há em mim.
Sossegar silenciosa e perdidamente, dormitar enroscada em lençois perfumados, eu apenas.
Ainda existo, esta é a minha hora.
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